Há coisas que eu sinto
antes de saber explicar.
Chegam como quem não bate à porta,
mas também não entra sem respeito.
Não acredito muito em acaso,
mas também não forço destino.
Aprendi que nem tudo o que vibra
quer ficar,
e nem tudo o que fica
precisa ser nomeado
ou fazer barulho.
Gosto do que é intenso,
mas aprendi a escutar
o que permanece
quando o entusiasmo passa.
Algumas luzes aquecem,
outras só iluminam o instante
e está tudo bem.
Há silêncios que protegem
e outros que adiam.
Eu já confundi os dois.
Hoje escuto
sem me perder no eco.
Se fico,
é porque faz sentido agora.
Se recuo,
é porque aprendi a não chamar de cuidado
o que é só medo disfarçado.
Não escrevo para explicar,
nem para ser lido demais.
Escrevo porque algumas verdades
não pedem resposta —
pedem lugar
para existir.
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