O trabalho remoto foi vendido como a grande libertação: trabalhe de qualquer lugar, defina os seus horários, equilibre trabalho e vida pessoal. E para muitos profissionais com competências digitais em Moçambique, abriu portas para trabalhar para clientes internacionais com salários em dólares ou euros. É real e é transformador.
Mas o que não se conta com a mesma frequência: o isolamento social que vem de trabalhar sozinho durante meses, a dificuldade de desligar quando o escritório é o quarto, a invisibilidade de trabalhadores remotos em empresas onde a cultura presencial ainda domina, e a precaridade de quem trabalha freelance sem contratos, sem protecção laboral, sem contribuições sociais.
Antes de romanticizar o trabalho remoto, é preciso fazer as contas certas: não é só o salário que importa, mas também a carreira, os direitos laborais, a saúde mental e a vida social. Para alguns é a melhor coisa que aconteceu. Para outros, é uma forma sofisticada de exploração mascarada de liberdade.
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