O continente africano tem uma tradição de milhares de anos de conhecimento medicinal baseado em plantas, minerais e práticas rituais que foram sistematicamente desvalorizadas pela medicina ocidental colonialista. Mas a ciência moderna está cada vez mais a descobrir que muitos destes remedios tradicionais têm bases farmacológicas sólidas que merecem estudo rigoroso.
Em Moçambique, curandeiros e médicos tradicionais (nyanga) utilizam centenas de plantas medicinais para tratar desde malária e hipertensão a doenças mentais e infertilidade. Investigadores da Universidade Eduardo Mondlane têm estudado algumas destas plantas e identificado compostos activos com potencial farmacológico real.
O desafio é criar pontes respeitosas entre o conhecimento tradicional e o método científico, sem cair em dois extremos igualmente problemáticos: o ceticismo que rejeita o conhecimento tradicional sem estudá-lo, e a credulidade acrítica que aceita qualquer remédio tradicional como eficaz sem evidência. O diálogo entre sistemas de conhecimento é difícil mas necessário.
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