Tentei ficar uma semana sem redes sociais. Não foi fácil — os primeiros dois dias foram de uma ansiedade surpreendente, como se estivesse a perder algo importante que nunca chegava. Mas depois da crise de abstinência inicial, aconteceu algo inesperado: o tempo voltou a ter espaço.
Repara no que as redes sociais ocupam: os momentos de espera (no chapa, na fila do banco, na recepção da clínica), que antes eram momentos de observação e de pensamento, viraram momentos de scroll automático. Sem o telemóvel como muleta, esses momentos voltaram a ser espaço mental genuíno. Notei mais a cidade. Ouvi conversas à minha volta. Tive ideias.
O que aprendi: as redes sociais não são maus em si — mas o uso compulsivo, automático, sem intenção, subtrai mais do que acrescenta. Voltei às redes depois da semana, mas com regras: sem telemóvel nas refeições, sem redes nos primeiros 30 minutos do dia, e uma hora de desconexão total antes de dormir. A diferença na qualidade do sono foi imediata.
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