Moçambique tem uma tradição de dança profundamente enraizada em todas as suas culturas regionais — o xigubo guerreiro do sul, o tufo islâmico do norte, o mapiko dos Maconde, as danças de iniciação em dezenas de variantes locais. Esta riqueza coreográfica é o solo fértil de onde brota uma dança contemporânea moçambicana de crescente reconhecimento internacional.
A Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) é a instituição histórica de referência, preservando e inovando com o repertório tradicional moçambicano. Mas é das companhias independentes que vêm os trabalhos mais ousados: a Companhia de Dança Contemporânea de Moçambique e colectivos como o Kuzola têm apresentado trabalhos em festivais de dança contemporânea em Portugal, França, Brasil e África do Sul.
Coreógrafos moçambicanos formados em Europa voltam ao país trazendo técnicas e linguagens do contemporâneo ocidental que combinam com a corporalidade e a musicalidade africanas moçambicanas. Este diálogo — por vezes tenso, sempre produtivo — está a gerar uma dança contemporânea genuinamente moçambicana que não é nem imitação ocidental nem folclore congelado.
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